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Atividade pedagógica dos docentes da UCDB homenageia Campo Grande

23 de Agosto de 2022 06:13

 

Durante a Semana Pedagógica dos Docentes 2022B, que tradicionalmente acontece dias antes do início das aulas para os alunos, os professores da Universidade Católica Dom Bosco tiveram um momento cultural e debateram sobre Campo Grande. O curso de Letras e a área de Cultura e Arte da Católica propuseram, então, que os participantes enviassem fotos de lugares de Campo Grande que gostavam ou cenas que os inspirassem para lembrar os 123 anos da Capital.

O resultado está na galeria de fotos que ilustra essa matéria (clique na foto principal e navegue com os botões). A coordenadora de Letras, professora Angela Catonio, explica a proposta: “A ideia era falar sobre poesia com produções que abordassem o tema Campo Grande. Então, surgiu a ideia de juntar com imagens produzidas pelos docentes de lugares que são especiais para eles de alguma forma. Na nossa reflexão, pensamos no quanto as coisas podem ser passageiras e o registro as imagens nos ajuda a manter a história das pessoas e dos lugares”.

Um dos poemas trabalhados foi sobre um ponto turístico de Campo Grande, o relógio no centro da cidade, que foi instalado em 1933 na Rua 14 de Julho, passou para Avenida Calógeras, ficou muitos anos esquecido, foi repaginado e agora está de volta ao ponto original. Sobre ele, a escritora Raquel Naveira escreveu:

 

RELÓGIO DA 14

Na rua 14 havia um relógio,
Um relógio alto como uma torre,
Amarelo como uma fotografia antiga;
Era um relógio de grande utilidade:
As pessoas sabiam se estavam atrasadas
E sentiam o escorrer dos minutos;
No Natal, virava presépio,
O Menino Jesus de olhos de vidro,
Separado do público por grossas cordas;
No carnaval, virava pagão,
Um rei Momo gordo,
Pendurado pelas bochechas
Chamava para a folia,
Para os bailes de máscara,
Para as orgias do esquecimento;
E depois, era um relógio solene
Em que se podia marcar um encontro
Nas tardes mais azuis.
 
Quem tirou o relógio da 14?
 
Parece que foi sonho....
 
A gente era criança,
Veio um ser de outro planeta
E com mãos gigantescas
Arrancou o relógio,
A cidade amanheceu sem relógio,
O tempo galopando nas esquinas;
Crescemos de repente,
Sem marcas de ferro nas lembranças,
Sem o apoio dos ponteiros,
Soltos no espaço.
 
Senhores contemporâneos,
Amigos de infância,
Passageiros desta terra,
Devo lhes confessar o que descobri:
O relógio da 14 sumiu...
 

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