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Biotério da UCDB promove visitação on-line em Semana Acadêmica de Medicina Veterinária da AEMS

28 de Maio de 2020 07:00

De portas abertas para o público, o Biotério da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB) sempre esteve disponível para receber estudantes e profissionais interessados em conhecer o local e agora, mesmo em meio à pandemia, foi criada uma estratégia que respeita o isolamento social para evitar o contágio da Covid-19 e possibilita aos interessados ver o espaço de perto: a visitação on-line. Foi por meio de uma videoconferência que, na noite dessa quarta-feira (27), os participantes da Semana Acadêmica de Medicina Veterinária, promovida pela AEMS Faculdades Integradas de Três Lagoas, puderam saber mais a respeito do trabalho desenvolvido pelo centro de pesquisa.

A visita foi mediada pela bióloga e médica veterinária que coordena o Biotério, Dra. Paula Helena Santa Rita, e também contou com a participação dos acadêmicos da Católica que integram o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Cientifica (Pibic) e demais pesquisadores. “Começamos falando sobre a história do Biotério e depois mostramos todo o espaço. Em cada sala, um aluno fez a apresentação do projeto de pesquisa que desenvolve no local e também foram apresentadas algumas técnicas de manejo de animais silvestres. Durante a transmissão foi exibido um vídeo, gravado na manhã do dia anterior, com a simulação de um manejo, a campo, com jacarés para que os participantes pudessem ter noção das atividades que realizamos”, esclareceu Paula.

Com o foco no desenvolvimento de estudos voltados para a área de biologia e sanidade animal, o Biotério existe desde 2003 e, atualmente, também funciona como um polo de distribuição de ferramentas para pesquisa. No espaço, há um amplo plantel de animais silvestres composto por cerca de mil roedores, 10 jacarés, entre adultos e filhotes, cinco jabutis, oito cágados, e aproximadamente 400 serpentes — há espécies peçonhentas e não peçonhentas, a maioria da fauna de Mato Grosso do Sul, oriundas de doações e resgates feitos pela própria população e também por órgãos especializados como Polícia Militar Ambiental (PMA) e o Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (Cras).

O centro de pesquisa atende acadêmicos da graduação, mestrandos e doutorandos da Católica. Dentre as linhas de trabalho, uma das principais, é na área de bioprospecção. No local, é feita a produção de veneno das serpentes e, em laboratório, pesquisadores buscam identificar se nessas toxinas há moléculas com potencial para a criação de novos medicamentos. “Além do trabalho feito na Universidade, os diferentes tipos de veneno das nossas serpentes são distribuídos para vários centros de pesquisa no Brasil e no mundo. Já foram identificadas nessas substâncias, por exemplo, moléculas com atuação antiviral, antibacteriana e até antitumoral”, pontuou Paula.

Segundo a coordenadora do Biotério, mais do que centro de pesquisa, o espaço também tem um papel fundamental na conservação de espécies nativas de Mato Grosso do Sul, principalmente, quando o assunto são as serpentes. “Fazemos o trabalho de conservação em si e é necessário porque trata-se de um animal que já vem estigmatizado, principalmente na cultura ocidental. É fácil as pessoas quererem conservar as araras, por exemplo, porque são aves belas, mas as cobras não, pesquisas mostram que 97% das pessoas as abominam. E pelo fato de aqui termos uma ampla biodiversidade, com características ímpares e com grandes diferenciais para a pesquisa é preciso conservar as espécies”, enfatizou Paula.

Outra atividade desenvolvida atualmente pela equipe do Biotério, junto com outros pesquisadores e técnicos da Universidade, é o Plano de Manejo da Bacia do Córrego Ceroula, em Campo Grande. O trabalho é fruto de uma parceria firmada, por meio da Agência de Inovação e Empreendedorismo da UCDB (S-Inova), com a Prefeitura Municipal de Campo Grande e é liderado pela Agência Municipal de Meio Ambiente e Planejamento Urbano (Planurb). “Fazemos o levantamento da fauna e também dos fatores bióticos do local para que seja feito um plano de manejo da área”, esclareceu Paula.

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