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Dose de Ciência: Em bar, fake news é tema debatido de forma descontraída entre especialistas e o público

02 de Maio de 2019 07:00

Dois títulos de notícias diferentes foram expostos ao público e as pessoas apontaram por meio de placas verdes e vermelhas se aquela informação era “mito” ou “verdade”. Foi dessa maneira democrática que a sexta edição do Dose de Ciência, promovida pela Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), começou um debate sobre fake news — “Trata-se de uma informação falsa vestida de notícia que é publicada em espaços na internet que tenham características de um jornal”, definiu a coordenadora do curso de Jornalismo da Católica, Inara Souza da Silva.

 

Junto com Inara, no bar Lupland Biergarten, em Campo Grande, outros dois especialistas também participaram da discussão: o professor do curso de Direito da UCDB, Raphael Chaia, doutorando em desenvolvimento local e especialista em direito eletrônico; e o docente da Universidad Nacional de San Luis (UNSL), na Argentina, o psicólogo Fernando Andrés Polanco.

 

Ao partir do ponto de que as informações falsas sempre existiram como boatos, os profissionais buscaram esclarecer o que aconteceu para que a expressão fake news surgisse e de que maneira ela impacta o nosso cotidiano.  “Esse termo difundiu-se bastante a partir de 2016, mas a ideia começou no século XIX com a chamada ‘false news’. O que mudou de lá para cá é que com a internet e as mídias sociais, além de consumirem informação, as pessoas passaram a produzir e aquilo que era só uma fofoca começou a ser difundido em uma escala quilométrica”, ressaltou Chaia.

 

Para Polanco o que é preocupante e merece atenção do público é o fato de que essas informações falsas são difundidas com o propósito de legitimar uma opinião ou prejudicar alguém. “Tem pessoas trabalhando especificamente para gerar esse tipo de informação, ou seja, diferente daquela ‘fofoca’ que envolvia apenas uma comunidade propriamente dita, agora percebemos uma intenção de manipulação muito mais intensa”, expôs o psicólogo.

 

Diante desse cenário foi enfatizada a importância das agências de fact-checking, além de uma educação midiática para que o público possa, ao ter contato com esse tipo de material, discernir e o que pode ou não ser verdade. “O que a gente precisa em âmbito mundial é ter esse cuidado e senso crítico. Leu algo que parece suspeito? Busque outras informações sobre aquilo e veja se de fato a informação procede. Isso é um trabalho que os jornalistas estão fazendo pois neste contexto de conteúdo falso o jornalismo cai em descrédito. Fica parecendo que toda reportagem é mentirosa e não é”, enfatizou Inara.

 

Segundo Chaia, no âmbito jurídico a produção e disseminação das fakes news não são consideradas, especificamente, crime, contudo a pessoa pode ser responsabilizada. “Já existe no código penal crimes como injúria, difamação e calúnia que se enquadram naquilo que o conteúdo falso pode promover. Então, acredito que não é necessária uma legislação específica para esse contexto”, pontuou o especialista em direito eletrônico.

 

Participação do público

Na data, acadêmicos da UCDB de várias áreas do conhecimento participaram da discussão. Diego Neves, de 24 anos, aluno do último semestre de Filosofia, ressaltou que a interdisciplinaridade ao abordar o tema permitiu que as pessoas tivessem acesso a pontos de vista diferentes. Além disso, pontou a relevância da presença especialistas para o debate: “Foi uma questão importante trazer profissionais qualificados que têm formação para isso para discutir temas que englobam toda a sociedade como esse a respeito das fakes news”.

 

Já para a mestranda em Psicologia Júlia Palmiere, de 22 anos, o mais interessante foi o fato do debate ter sido promovido em um ambiente descontraído e de fácil acesso. “Achei legal trazer um debate como esse para fora da academia, ainda mais com esse tipo de temática que está relacionada com as polarizações e as intolerâncias que tem aparecido e ganhado muita força no cotidiano. Eu acho que discutir entre professores, alunos e a comunidade é importante para aproximar a academia de outros espaços. É algo que enriquece muito a discussão”, comentou Júlia.

 

Nesta sexta edição do Dose de Ciência, o evento foi realizado em parceria com o Núcleo de Análise do Comportamento e Neurociência (NACNeuro), por meio da organização do professor Dr. Rodrigo Lopes Miranda. Segundo o docente, que acompanha o projeto desde a primeira edição, é visível a evolução da proposta e o envolvimento da comunidade acadêmica.

 

“No primeiro Dose de Ciência foi perceptível que o público estava muito preso a palestras com o uso de slides, por exemplo, e, de repente, a gente consegue hoje, após seis edições, chegar a um modelo em que os convidados estão conversando mais entre eles, além de conseguirem criar mecanismos de convidar o público a interagir — como hoje, pela segunda vez, foi feito com plaquinhas. Então acho que alcançamos um modelo interessante de interação com a sociedade”, concluiu Rodrigo.

 

Dose de Ciência: Em bar, fake news é tema debatido de forma descontraída entre especialistas e o público

 

Sexta edição do evento foi realizada no Lupland Biergarten, em Campo Grande

 

 

Dois títulos de notícias diferentes foram expostos ao público e as pessoas apontaram por meio de placas verdes e vermelhas se aquela informação era “mito” ou “verdade”. Foi dessa maneira democrática que a sexta edição do Dose de Ciência, promovida pela Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), começou um debate sobre fake news — “Trata-se de uma informação falsa vestida de notícia que é publicada em espaços na internet que tenham características de um jornal”, definiu a coordenadora do curso de Jornalismo da Católica, Inara Souza da Silva.

 

Junto com Inara, no bar Lupland Biergarten, em Campo Grande, outros dois especialistas também participaram da discussão: o professor do curso de Direito da UCDB, Raphael Chaia, doutorando em desenvolvimento local e especialista em direito eletrônico; e o docente da Universidad Nacional de San Luis (UNSL), na Argentina, o psicólogo Fernando Andrés Polanco.

 

Ao partir do ponto de que as informações falsas sempre existiram como boatos, os profissionais buscaram esclarecer o que aconteceu para que a expressão fake news surgisse e de que maneira ela impacta o nosso cotidiano.  “Esse termo difundiu-se bastante a partir de 2016, mas a ideia começou no século XIX com a chamada ‘false news’. O que mudou de lá para cá é que com a internet e as mídias sociais, além de consumirem informação, as pessoas passaram a produzir e aquilo que era só uma fofoca começou a ser difundido em uma escala quilométrica”, ressaltou Chaia.

 

Para Polanco o que é preocupante e merece atenção do público é o fato de que essas informações falsas são difundidas com o propósito de legitimar uma opinião ou prejudicar alguém. “Tem pessoas trabalhando especificamente para gerar esse tipo de informação, ou seja, diferente daquela ‘fofoca’ que envolvia apenas uma comunidade propriamente dita, agora percebemos uma intenção de manipulação muito mais intensa”, expôs o psicólogo.

 

Diante desse cenário foi enfatizada a importância das agências de fact-checking, além de uma educação midiática para que o público possa, ao ter contato com esse tipo de material, discernir e o que pode ou não ser verdade. “O que a gente precisa em âmbito mundial é ter esse cuidado e senso crítico. Leu algo que parece suspeito? Busque outras informações sobre aquilo e veja se de fato a informação procede. Isso é um trabalho que os jornalistas estão fazendo pois neste contexto de conteúdo falso o jornalismo cai em descrédito. Fica parecendo que toda reportagem é mentirosa e não é”, enfatizou Inara.

 

Segundo Chaia, no âmbito jurídico a produção e disseminação das fakes news não são consideradas, especificamente, crime, contudo a pessoa pode ser responsabilizada. “Já existe no código penal crimes como injúria, difamação e calúnia que se enquadram naquilo que o conteúdo falso pode promover. Então, acredito que não é necessária uma legislação específica para esse contexto”, pontuou o especialista em direito eletrônico.

 

Participação do público

 

Na data, acadêmicos da UCDB de várias áreas do conhecimento participaram da discussão. Diego Neves, de 24 anos, aluno do último semestre de Filosofia, ressaltou que a interdisciplinaridade ao abordar o tema permitiu que as pessoas tivessem acesso a pontos de vista diferentes. Além disso, pontou a relevância da presença especialistas para o debate: “Foi uma questão importante trazer profissionais qualificados que têm formação para isso para discutir temas que englobam toda a sociedade como esse a respeito das fakes news”.

 

Já para a mestranda em Psicologia Júlia Palmiere, de 22 anos, o mais interessante foi o fato do debate ter sido promovido em um ambiente descontraído e de fácil acesso. “Achei legal trazer um debate como esse para fora da academia, ainda mais com esse tipo de temática que está relacionada com as polarizações e as intolerâncias que tem aparecido e ganhado muita força no cotidiano. Eu acho que discutir entre professores, alunos e a comunidade é importante para aproximar a academia de outros espaços. É algo que enriquece muito a discussão”, comentou Júlia.

 

Nesta sexta edição do Dose de Ciência, o evento foi realizado em parceria com o Núcleo de Análise do Comportamento e Neurociência (NACNeuro), por meio da organização do professor Dr. Rodrigo Lopes Miranda. Segundo o docente, que acompanha o projeto desde a primeira edição, é visível a evolução da proposta e o envolvimento da comunidade acadêmica.

 

“No primeiro Dose de Ciência foi perceptível que o público estava muito preso a palestras com o uso de slides, por exemplo, e, de repente, a gente consegue hoje, após seis edições, chegar a um modelo em que os convidados estão conversando mais entre eles, além de conseguirem criar mecanismos de convidar o público a interagir — como hoje, pela segunda vez, foi feito com plaquinhas. Então acho que alcançamos um modelo interessante de interação com a sociedade”, concluiu Rodrigo.

 

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