NOTÍCIAS

Grupo de Resgate de Animais planeja ações preventivas no Pantanal

26 de Abril de 2021 07:11

 

Assim que as primeiras notícias de 2020 sobre os incêndios na região do Pantanal mato-grossense — e posteriormente o sul-mato-grossense — estavam fora de controle e destruindo a flora e a fauna, um grupo de professores e acadêmicos de Medicina Veterinária da Universidade Católica Dom Bosco iniciou a mobilização para atendimento e resgate dos animais da região. Hoje, sete meses depois de iniciado esse trabalho, os integrantes comemoram o reconhecimento e a formalização do Grupo de Resgate Técnico Animal Cerrado e Pantanal (Gretap/MS) pelo Governo do Estado de Mato Grosso do Sul.

As atividades do Gretap foram lideradas pela Universidade Católica Dom Bosco, Instituto Homem Pantaneiro (IHP), Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV/MS), Imasul e pelo Instituto Tamanduá. E, ainda hoje, executam ações preventivas e de assistência para que a população e os animais não voltem a sofrer com as queimadas. “Quando o período crítico das queimadas passou e o fogo foi controlado, direcionamos as ações. Mensalmente levamos uma tonelada de frutas doadas pela Energisa para a Serra do Amolar, que são fornecidas aos animais e também à população ribeirinha. Já é percebido o rebrotamento das espécies vegetais e, com isso, os animais reaparecem. Os pontos de distribuição de alimentos são monitorados através de armadilhas fotográficas para conhecermos os grupos animais que mais utilizam o recurso. O IHP, por sua vez, tem feito a abertura de rotas de fuga dos animais, os aceiros para interromper a propagação do fogo e treinamento preventivo com a população”, destacou a coordenadora do Gretap-MS, a bióloga, médica veterinária e docente da UCDB, Dra. Paula Helena Santa Rita.

A professora explica o projeto de instalação do Centro de Atendimento Veterinário da Serra do Amolar (Cavet Amolar), com ambulatório para atendimento de animais silvestres e domésticos e um pequeno centro cirúrgico, com a presença de um médico veterinário permanente. “É um projeto que já está em andamento”, afirmou. Para chegar ao local são de 4h a 6h de barco para percorrer cerca de 200 quilômetros a partir de Corumbá.

Pesquisa e extensão
Com uma biodiversidade rica e única, o Pantanal sofreu com um dos maiores incêndios de sua história, com mais de 15 mil focos registrados. Formado por biólogos, zootecnistas, médicos veterinários voluntários e por acadêmicos, foram criadas metodologias de resgate técnico animal que, hoje, são apresentadas em congressos científicos e repassados para grupos de outros estados, como Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul.

“Na UCDB, vamos manter nossos acadêmicos treinados sobre os protocolos de atendimentos. Além das pesquisas geradas pelo nosso trabalho ao longo de 2020, neste ano vamos incluir ações de saúde pública na rotina das áreas afetadas”, adiantou Paula Helena.

A docente complementou: “Agora, com a formalização e o reconhecimento do Gretap pelo Governo do Estado, há sinalização da preocupação com a fauna local em todos os seus níveis. O grupo abrange profissionais das mais diversas áreas, das esferas públicas e privadas, em prol do bem da fauna silvestre e doméstica diante dos desastres. Mato Grosso do Sul foi o primeiro Estado a oficializar um grupo de resgate técnico animal no país e hoje mantemos as atividades nas áreas afetadas, mesmo pós fogo, com operações de assistencialismo, monitoramento e ações de preventivas incluindo a participação das populações locais”.

Dez instituições fazem parte do GRETAP/MS: a Semagro, Imasul, CRMV-MS, UCDB, Ibama, Instituto Tamanduá, Instituto do Homem Pantaneiro – IHP, Fundação Municipal do Meio Ambiente de Corumbá, UFMS e PMA.

 

MAIS NOTÍCIAS