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Memórias vividas e sentidas: uma homenagem ao P. Arlindo Pereira Lima

01 de Março de 2021 07:00

 

Seus passos vividos em nossa universidade e tecidos sob o olhar das docentes

 

Profª Maria Augusta de Castilho

O Pró-Reitor de Pesquisa da UCDB – Pe. Arlindo Pereira Lima, com seu espírito salesiano repleto de humildade e afabilidades, visitava alunos e professores durante as aulas, sempre incentivando e registrando em sua máquina fotográfica todas as ações educativas.  Ressalta-se que em seu escritório (Bloco A) existiam álbuns e álbuns de fotos, constituindo um grande acervo de imagens de ações do âmbito institucional, pensando talvez, que em um amanhã não distante, nós, pesquisadores e historiadores, escreveríamos e documentaríamos por meio de fotos, parte da história da UCDB. Vale lembrar que Giovanni Morelli (1816-1891) assinala que: “se você quiser entender história, você deve observar cuidadosamente os retratos. Nas fisionomias das pessoas sempre existe alguma coisa sobre a história de suas épocas para ser lida, se soubermos como lê-las”. A partir de então, passei a valorizar as imagens não só em minhas aulas, mas também em minha produção científica, trazendo sempre em minha memória os ensinamentos deste mestre alegre e companheiro.

Mas a influência do Pe. Arlindo em minha vida não parou por aí. Em novembro/1998, realizei uma cirurgia de tireoide e fiquei sem voz. O meu orientador/tutor me chamou e disse: - “Você vai escrever um livro sobre Metodologia Científica para o Curso de Direito para atender a Portaria n. 1886/1994, tendo como objetivo oferecer aos alunos mecanismos para que eles possam fazer as monografias dentro das normas da ABNT”. Fiquei em uma sala no Bloco C, recebendo orientações dele, sempre me incentivando e me auxiliando. A obra foi publicada pela UCDB no início de 1999, com o prefácio do Pe. Arlindo Pereira Lima. Por sua grandiosidade de caráter e espírito cooperativista salesiano, em 1999, me autorizou a publicar o livro pela Editora Saraiva, mas a obra continuou com o prefácio de meu tutor científico na primeira edição.

Ainda em 1998, publicamos com os alunos do Curso de Direito um livrete intitulado “Pesquisas acadêmicas”, sempre por influência e orientações do Pe. Arlindo, que a nosso ver, tinha um carinho especial pelo referido curso.

Em 2000, por ocasião da comemoração dos 500 anos do Descobrimento do Brasil, novamente meu orientador/tutor me solicitou escrever uma obra sobre a Carta de Caminha, que logo foi publicada pela UCDB. Enviamos uma cópia da obra ao Gabinete da Presidência da República, que nos brindou com 10 quadros sobre o acontecimento, bem como, uma cópia n. 103 (das 200 existentes) da Carta original de Caminha, arquivada na Torre do Tombo (Gaveta 8, maço 2, nº 8) em Portugal, autenticada pelo diretor do arquivo, Bernardo Vasconcelos e Souza. Ficamos todos muito felizes, por ter em mãos tal cópia, sendo fruto mais uma vez, da competência e bondade de nosso querido Pe. Arlindo, mas recebendo sempre o apoio do Pe. José Marinoni.

Este nosso Pró-Reitor de Pesquisa em 1998, também teceu os fios condutores para a implantação da Universidade da Terceira Idade (30 alunos) solicitando que eu ministrasse a disciplina Teoria do Conhecimento e Socialização e Arlinda a disciplina de Produção de texto. Ele assistia às aulas, participava, registrava as ações com sua máquina fotográfica e sempre estava presente nos momentos festivos. Foi uma experiência ímpar em nossa vida, época em que aprendemos técnicas educacionais maravilhosas que temos utilizado em nosso cotidiano como docentes.

Na UMI (Universidade da Melhor idade), Pe. Arlindo solicitou-me uma produção acadêmica, que foi publicada em 2003, com o título – Reflexões e poesias, o que causou muita satisfação e euforia nos alunos e familiares por ocasião do lançamento da obra, em uma sessão solene ocorrida no anfiteatro da Biblioteca.

Por incentivo de meu mentor, nunca mais deixei de publicar livros e sempre me vêm na memória, lembranças dos dias em que ele me incentivou, orientou e como um Anjo da Guarda, sempre velando por minha trajetória na IES.

 

Profª Arlinda Cantero Dorsa

A minha trajetória junto ao Pe. Arlindo teve início no Colégio Dom Bosco, quando eu e meu esposo Antônio tivemos o prazer de tê-lo como colega no então Científico, em plena década de 1970. Nosso coordenador, sempre atento às nossas ações junto aos alunos na época, era o nosso querido Pe. Marinoni. Ali começou uma amizade que se estendeu até o seu passamento. Contatos frequentes, batismo de um dos nossos filhos, sempre alegre e carinhoso quando nos encontrávamos, principalmente nos encontros que se estenderam por vários anos com nossos alunos do Colégio Dom Bosco.

Já cursando o mestrado em São Paulo, em 1997, eu o procurei e lhe falei da minha vontade imensa de lecionar na UCDB. Quando soube da continuidade de meus estudos, me recebeu na universidade e me falou: “Tenho 4 aulas para você no curso de Direito para lecionar Linguagem Jurídica. Procura dar conta pois você é a terceira professora em menos de dois meses. Mostra sua capacidade que, com certeza, conseguirá mais aulas. Seja uma professora competente, mas sempre atenta à filosofia de Dom Bosco, traga os alunos para perto de você, sempre!!” Assim aconteceu... novas turmas fui gradativamente conquistando.  Em 2000, graças ao incentivo e força do Pe Arlindo, realizei o 1º Tribunal Interturma de Argumentação com alunos do matutino e noturno do curso de Direito, atividade esta que completa neste ano a sua 21ª edição.  Hoje após 23 anos, agradeço a cada dia a oportunidade recebida por esta pessoa exigente, desafiadora, porém muito especial, que me renova a cada ano na missão de educar.

Em 1999, trouxe-me um outro desafio, ou seja, trabalhar com a professora Dra. Marta Brostolin, no setor da COPESE, na assessoria pedagógica, sob a coordenação da competente e exigente professora Margarida. O vestibular era a menina dos olhos dele. Ao mesmo tempo que dava todo o suporte necessário para que fizéssemos um trabalho excelente, estava sempre atento, desde as famosas cortinas que vistoriava em todos os setores, queria saber de tudo sobre o processo avaliativo, sempre emitia sugestões muito bem recebidas pela equipe.

Ainda em 1999, também nos colocou em um maior desafio, preparar o vestibular em São Gabriel do Oeste, pois a UCDB pretendia abrir uma extensão da universidade naquela cidade. Do vestibular à abertura das aulas, lá estava o Pe. Arlindo viajando constantemente com a equipe de professores, dentre eles, eu e Maria Augusta, para acompanhar o desempenho dos professores nesta nova sede. A sua máquina fotográfica registrava tudo, aulas, eventos. Foi um tempo de novas colheitas, de novos aprendizados em que ele esteve sempre à frente enquanto permaneceu na UCDB.

Seu exemplo de vida, pessoal, profissional e sacerdotal, sua paixão pela UCDB sempre foi imensa e com tristeza todos nós seus amigos e admiradores sentimos muito quando deixou a Pró-reitoria e foi enviado a novo destino.  Uma alegria quando tínhamos a oportunidade de encontrá-lo em suas rápidas visitas na universidade.

Nossa trajetória na UCDB tem um personagem sui generis, que sem ele nós não seríamos as docentes que somos hoje - Pe. Arlindo.  GRATIDÃO ETERNA!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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