NOTÍCIAS

Pesquisa analisa manifestações culturais de paraguaios em Campo Grande

22 de Fevereiro de 2019 10:00

“Há uma cultura mista que envolve as cidades paraguaias e Campo Grande”, pontuou Priscila Palhanos. A jovem é mestranda do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Local da Universidade Católica Dom Bosco e traduz nesta afirmação a conclusão da pesquisa desenvolvida durante o curso. Sob a orientação da professora Dra. Maria Augusto de Castilho, a discente analisou as manifestações culturais dos paraguaios na capital sul-mato-grossense.

Na tarde desta quinta-feira (21), Priscila apresentou a dissertação à banca avaliadora e apontou que foi possível identificar, principalmente, os contextos históricos que permitiram essa influência cultural. “Existe uma longa história entre Mato Grosso do Sul e o Paraguai em que as duas regiões ligaram-se basicamente por conta das guerras. Pela proximidade geográfica, muitos paraguaios vinham exilados para cá e outros por opção, na tentativa de melhorar de vida. Mais um ponto que promoveu esse contato foi o comércio, presente atualmente, que vem sendo desenvolvido até mesmo informalmente por meio da fronteira”, esclareceu Priscila.

Também durante o estudo, a mestranda buscou identificar de que maneira a cultura paraguaia é repassada para as próximas gerações em Campo Grande. Foram entrevistados 17 descendentes de paraguaios que indicaram os elementos culturais que ainda estão presentes no cotidiano deles — foram mencionados a culinária, a música, o artesanato e até mesmo receitas de medicamentos caseiros. Além disso, a maioria deles (76,5%) falou que tem interesse em repassar essa cultura para filhos e netos, os demais negaram apenas por considerarem que não têm muitos conhecimentos a respeito do tema para compartilhá-los.  

Segundo Priscila, quase todos os entrevistados também mencionaram que se sentem integrados no Brasil e que podem manifestar os elementos culturais dos ascendentes deles nas comunidades em que vivem. “Identifiquei que há uma memória do vivido, uma experiência que permite que Mato Grosso do Sul seja muito paraguaio e vice-versa, pois uma região se desenvolveu na outra. Isso faz com que algumas coisas que são típicas lá, também sejam aqui, contudo cada local atribui algo único para aquilo, como acontece com a sopa paraguaia — teoricamente é o mesmo prato, mas em cada região há uma receita”, concluiu a mestranda.

Participaram da banca avaliadora, junto com a orientadora da dissertação, as docentes da Católica Dra. Arlinda Cantero Dorsa e a Dra. Denise Abrão Nachif. Outras informações sobre o Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Local por meio do número (67) 3312-3612.

MAIS NOTÍCIAS