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Pesquisas e projeto modelo da UCDB auxiliam no conhecimento e tratamento do autismo

02 de Abril de 2019 07:00

 

Pesquisas e o desenvolvimento de um projeto modelo para o conhecimento e tratamento do autismo são os principais objetivos do Laboratório de Pesquisa em Autismo e Comportamento (Lapac) da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB). E no Dia Mundial da Conscientização do Autismo, comemorado no dia 2 de abril, informações como essas trazem um alento para todos aqueles que buscam mais qualidade de vida para crianças com Transtornos de Espectro Autista (TEA).

 “Uma iniciativa dessas, que estamos começando na Universidade, em desenvolver um projeto modelo onde as pessoas vão ter o tratamento ABA [Applied Behavior Analysis ou Análise Comportamental Aplicada] é uma iniciativa de extrema importância. O projeto se propõe a investigar, a desenvolver novas intervenções, novos tratamentos, e ainda a prestar serviço especialmente para pessoas que não tem condições financeiras para pagar pelo tratamento, que envolve muitos profissionais, e é muito caro”, aponta o coordenador do Lapac, o psicólogo Dr. André Augusto Borges Varella.

O Lapac da UCDB tem realizado estudos desde o desenvolvimento de alguns testes para avaliar o potencial de desenvolvimento de linguagem da criança até estudos de programas de treinamento de capacitação de profissionais para identificar sinais precoces de autismo. “Hoje em dia tem um consenso na área científica que até o primeiro ano é impossível de se fechar um diagnóstico de autismo com segurança, pelo menos até com base em observações clínicas. A partir do segundo ano já se torna possível, mas vai depender de como o desenvolvimento da criança está acontecendo e de que maneira esses sinais estão se apresentando. O diagnóstico do autismo não é com base em um único sinal, é um conjunto de sinais que a gente e precisa observar”, explica.

Alguns sinais de autismo, conforme o psicólogo, já são possíveis identificar nos seis primeiros meses de vida. “A criança pode ter uma frequência baixa de sorrisos, de respostas de sorrisos para as pessoas que estão sorrindo para ela, dificuldade de olhar nos olhos, em apontar para as coisas que chamem o interesse dela, a criança pode ter muita dificuldade quando a gente a chama pelo nome. Existem alguns sinais que a gente consegue observar ao longo do primeiro e segundo ano de vida, que podem ser sugestivos de autismo. Não é possível em alguns casos, antes de dois anos, fechar o diagnóstico”, esclarece.

Ele ressalta que após a avaliação, o profissional vai ter de observar o conjunto de sinais, a intensidade que esses sinais estão acometendo a criança para classificar o grau de autismo em severo, moderado ou leve. “Elas podem apresentar uma grande aderência a rotina, uma frequência de comportamentos repetitivos, rígidos e estereotipados muito grande. Uma criança com baixo nível de habilidade na questão de se comunicar, crianças que precisam de muito suporte para gente entender o que elas querem, que precisa de suporte para fazer necessidades básicas, como se vestir, comer de forma independente, ou atividades do dia a dia. Todas essas informações vão indicar de que maneira os sinais do autismo vão impactar a criança. O autismo, para muitas áreas do desenvolvimento vai funcionar como se fosse um freio. A criança vai ver mais dificuldades de desenvolver as habilidades de socialização, em muitos casos nas habilidades de linguagem, de autonomia”.

Para o desenvolvimento de quem apresenta o transtorno as terapias são fundamentais. “Elas vão identificar problemas que a criança apresenta e tentar intervir nesse conjunto de dificuldades. Você pode encontrar terapias que vão focar no desenvolvimento da linguagem, focar no desenvolvimento da socialização, focar no desenvolvimento das habilidades pré-acadêmicas e acadêmicas, tenha condições de aprender a ler e a escrever, e consigam evoluir, pois cada uma tem seu grau de evolução. Algumas evoluem mais rápidas que outras, mas todas elas, com as terapias, podem apresentar ganhos importantes”.

Ele também observa que é fundamental o papel dos pais no tratamento. “Muito do progresso que a gente tem hoje, à cerca da conscientização do autismo, de melhores condições de tratamento para avaliação de diagnóstico se deve a organização dos pais. O dia de amanhã pode ser melhor que o dia de hoje! A gente pode ter sim muitos progressos de melhora no quadro de todas as crianças. Claro que o tamanho do progresso vai depender de cada caso, mas independente disso, tem crianças que vão apresentando melhorias, se desenvolvendo mais”, finaliza. 

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