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Proteína do veneno de cobra pode ajudar no tratamento contra o câncer

23 de Agosto de 2021 07:11

Purificação de uma proteína do veneno de uma serpente do cerrado (espécie Bothops moojeni, popularmente conhecida como Caiçaca) e verificar sua atividade antitumoral em tratamento contra o câncer colorretal, sarcoma e o de pulmão, foi o que levou doutorando Breno Emanuel Farias Frihling a desenvolver a pesquisa ‘Purificação, Caracterização e Avaliação da Atividade Citotóxica da Fosfolipase A2 de Bothrops moojeni , no Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), cuja defesa de tese ocorreu na sexta-feira (20), por videoconferência. O trabalho contou com a orientação do professor Dr. Ludovico Migliolo (UCDB) e coorientação da professora Dra. Ana Paula Boleti de Araujo (UCDB).

“O veneno é um complexo de centenas de proteínas, então quando falamos em purificar, basicamente estamos ‘tirando’ apenas uma proteína do veneno, utilizando algumas técnicas bioquímicas. Como resultado, conseguimos obter essa proteína, da família das fosfolipases. Com a obtenção dessa proteína, nós verificamos algumas propriedades físico-química e biológicas dessa molécula. Observamos que a proteína apresenta uma atividade antitumoral contra linhagens celulares de câncer colorretal e um tipo de sarcoma (câncer), que afeta o tecido muscular”, explica o doutorando.

Essa espécie de serpente é a que mais acomete acidentes no cerrado. A pesquisa é apenas uma das diversas realizadas no Biotério da UCDB, viveiro no qual são mantidas 450 serpentes de várias espécies, sendo 320 peçonhentas, além do suporte do Laboratório S-inova, pelo programa de Biotecnologia. O Biotério também é responsável pelo envio de veneno para o Instituto Vital Brasil para a produção de novos fármacos e do soro antiofídico.

O doutorando explica que esse resultado da pesquisa é o pontapé inicial para um possível tratamento, mas que para a aplicação efetiva ainda é preciso trilhar um longo caminho. “Precisamos realizar mais testes para poder afirmar qualquer tipo de aplicação. Porém, percebemos que essa fosfolipase, a princípio, não apresenta uma atividade agressiva contra células do sistema nervoso (chamadas de microglias), mas apresentou atividade antitumoral, indicando que essa proteína apresenta uma seletividade maior para células tumorais. O nosso descreveu a primeira Fosfolipase de serpente com atividade contra o câncer colorretal e sarcoma muscular”, destaca.

A banca examinadora foi composta pelos professores Dr. Cirano José Ulhoa (UCDB), Dra. Karla Oliveira Patrícia de Oliveira Luna (UEPB), Dra. Lilliam May Grespan Estoudutto da Silva (UCDB) e Dra. Paula Helena Santa Rita (UCDB). Mais informações sobre o programa de pós-graduação em Biotecnologia pelo telefone (67) 3312-3768.

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